PCGE avança nacionalmente e termo de cooperação é assinado em Roraima

ATUALIZADA EM 05/08/2026


O Programa Ciência e Gestão pela Educação (PCGE) está ganhando ainda mais capilaridade com sua implementação, nos mesmos moldes do município carioca, em vários Estados do país. Ele já avança pelo Brasil, com compromissos sendo firmados com os tribunais de contas de Roraima, São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Fruto de um acordo de cooperação   técnica entre o Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro (TCMRio), a Prefeitura do Rio, através da Secretaria Municipal de Educação, e a Universidade de Cambridge, na Inglaterra, o programa é resultado de um dos maiores experimentos científicos realizados no mundo na área de Educação. O PCGE tem como objetivo alavancar a aprendizagem nas escolas públicas brasileiras.

Na manhã desta terça-feira, (04/08), o presidente do TCMRio e do Conselho Nacional de Presidentes dos Tribunais de Contas, Luiz Antonio Guaraná, e o conselheiro Felipe Puccioni, idealizador do PCGE, participaram de evento em Boa Vista para a assinatura de um Termo de Cooperação com o Tribunal de Contas do Estado de Roraima para a implementação do PCGE. O presidente do TCE-RR, conselheiro Francisco José Brito Ferreira, agradeceu a ida dos membros do TCMRio e teceu elogios rasgados ao PCGE. A conselheira Simone Soares, que está responsável pela implementação do programa em Roraima, informou que, em princípio, 21 escolas estão sendo contempladas em seis municípios daquele estado do Norte do país.

A assinatura aconteceu durante a "I Jornada pela Educação - PCGE em Roraima", realizada na sede do TCE-RR. No ano passado o Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro já havia assinado acordo semelhante para o desenvolvimento do Programa de Ciência e Gestão pela Educação no estado de São Paulo.

No município do Rio de Janeiro, que possui a maior rede de Educação da América Latina, o PCGE já está na sua terceira etapa, envolvendo até agora 240 escolas com resultados pra lá de surpreendentes, com o envolvimento de 720 gestores escolares.

Na primeira etapa do PCGE, de 2022 a 2023, 40 escolas foram apoiadas pelo programa. Já a segunda, de 2024 a 2025, foram 120. Atualmente, mais 80 novas escolas estão em fase de expansão.

O programa já teve artigos publicados internacionalmente em diversas revistas científicas comprovando a sua eficácia. Um dos fatores mais relevantes do seu desempenho é o baixo custo de implementação, representando nas primeiras etapas apenas R$ 42,00 por aluno. Ao mesmo tempo, seu retorno é enorme avançando em dois anos o aprendizado os alunos participantes e gerando benefícios já quantificados da ordem de R$ 7 milhões na cidade do Rio de Janeiro.

Criado por Felipe Galvão Puccioni, conselheiro do TCMRio, fruto de seu PhD na Universidade de Cambridge, o Programa Ciência e Gestão pela Educação (PCGE), através do aprimoramento da gestão das escolas, gerou grandes ganhos de aprendizagem para os estudantes da rede municipal do Rio de Janeiro.

O conselheiro do TCMRio não queria apenas desenvolver um programa de baixo custo com potencial para melhorar a qualidade da educação pública, ele queria testar de maneira precisa e robusta se sua ideia realmente funcionaria no mundo real, isto é, nas escolas públicas brasileiras. Assim, desenhou um experimento aleatório em que escolas cariocas selecionadas aleatoriamente receberiam o programa (grupo de tratamento) e seriam comparadas com escolas também selecionadas aleatoriamente que não receberiam apoio do programa (grupo de controle).

O programa foi desenhado para ser implementado por servidores do TCMRio e da SMERJ através da metodologia Ágil de gestão de projetos. A metodologia permitiu que essa equipe interdisciplinar e interinstitucional de servidores trabalhasse de forma autônoma e flexível implementando grupos de práticas de gestão mais adequados ao momento que a rede municipal carioca estivesse vivendo. A capacidade de adaptação, e consequentemente de integração, é um dos pontos fortes da implementação do programa. 

Os resultados do programa são surpreendentes. As escolas mais bem sucedidas em aprimorar suas práticas de gestão geraram aos seus alunos, em dois anos de programa, o equivalente ao que se aprende em média, em de quatro anos em uma escola pública do Rio de Janeiro. As escolas "tratadas" se tornaram em torno de 110% mais produtivas em entregar aprendizado aos seus alunos. Tudo isso sem mudança da equipe de gestão, de professores ou alunos.

- Supondo que gestão importa para qualquer escola brasileira, as evidências causais geradas pelo estudo indicam que se as escolas do país implementassem de maneira efetiva as 23 práticas de gestão discutidas no experimento, o Brasil poderia alcançar níveis educacionais semelhantes aos de países europeus. As crianças brasileiras têm pressa para aprender. Precisamos o quanto antes implementar intervenções que comprovadamente possam alavancar a qualidade da educação brasileira - disse   Puccioni durante sua fala às autoridades, gestores e professores roraimenses, presentes ao evento.

O projeto como um todo não teria sido possível sem o apoio incondicional de diversos parceiros e instituições. O Professor da Faculdade de Economia da Universidade de Cambridge e orientador de Puccioni, Tiago Cavalcanti, foi desde sempre um grande ponto de apoio e orientação para que as ideias fossem bem desenhadas. Puccioni também contou com destacado apoio do presidente do TCMRio, Luiz Antonio Guaraná, que influenciou Puccioni a direcionar seus esforços durante o PhD em Cambridge para a área da educação pública. Em relação às expectativas, Guaraná afirma: "Espero que isso possa se refletir na educação de gerações futuras e, quem sabe daqui a 10 anos, graças ao trabalho desenvolvido hoje por meio desse experimento, professores, gestores da Educação e todos nós, possamos nos orgulhar de ter contribuído positivamente para a melhora dos números conquistados", afirmou o presidente do TCMRio, Luiz Antônio Guaraná.

Outro ator fundamental para que as ideias de Puccioni saíssem do papel foi o Secretário de Educação do Município do Rio de Janeiro, Renan Ferreirinha, que não poupou esforços para que o projeto acontecesse sob sua gestão da rede municipal do Rio de Janeiro. Mais ainda, a realização do experimento e os bons resultados encontrados só foram possíveis graças à inovadora parceria entre o Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro (TCMRio), a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (SMERJ) e a Universidade de Cambridge, cuja supervisão atesta o rigor científico e metodológico da iniciativa.

A coordenadora de implementação, Natalia Aisengart, que teve participação destacada para o sucesso do programa afirma que: "A oferta de uma formação em Serviço com base nas 23 melhores práticas preconizadas pelo WMS e em achados da literatura acadêmica internacional não traria mudanças efetivas se não houvesse esforço e trabalho conjunto, tanto da equipe de servidores que ofereceu apoio como das equipes gestoras das escolas beneficiadas. As equipes gestoras se dispuseram a rever sua prática, incorporando mudanças e aperfeiçoando o acompanhamento pedagógico, fazendo com todas as dimensões de gestão estejam à serviço da aprendizagem de seus estudantes".

O PCGE foi tão bem-sucedido em sua primeira fase, melhorando a vida de 16 mil alunos, que foi depois implementado em mais 120 escolas (48 mil alunos) da rede municipal carioca. Nesta terceira fase, com cinco anos de expansão, atinge no seu todo 240 escolas. Espera-se que o programa possa ser expandido para toda a rede carioca no curto ou no médio prazo. "Esperança para nossas crianças, cariocas ou não, que tem pressa em aprender".

PCGE avança nacionalmente e termo de cooperação é assinado em Roraima